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O pensamento gnóstico à luz da fundação dos Estados Unidos da América

A eterna sedução do homem pelo demônio

Nesse texto pretendo elucidar um pouco como se dá a eterna sedução do homem pelo demônio, que vai explicar muitas coisas que irei abordar na fundação do que é hoje os Estados Unidos da América. Apesar de parecer fácil de explicar, sua nuância se torna complexa cada vez mais que entendemos a história do homem, mas tudo se dá apenas a uma coisa, a soberba. Nossos pais genitores, Adão e Eva, foram os primeiros a cair em pecado, que é a forma que o demônio se utiliza para nos afastar cada vez mais de Deus. Nós fomos privados da Visão Beatífica, que por fundamento é conhecer a Deus por essência. Ora, alguém poderia perguntar: como eles poderiam ter sido tão tolos em serem enganados pela serpente? Não por surpresa, o demônio é bem habilidoso em tornar a mentira mais atraente, nos fazer buscar um conhecimento que não pode ser conhecido, que para Adão e Eva, a Gnose (do grego “gnosis”, conhecimento).

Não quero me estender muito aqui, mas uma questão muito importante que alguém também poderia perguntar seria então como poderíamos ser deuses se somos de certa forma limitados à matéria? Bom, aqui então que a religião do demônio toma sua forma. Satanás, de forma simples, nos leva a pensar que a verdade é a mentira e a mentira é a verdade, que o que os nossos olhos veem é falso:

Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo! (Is 5,20)

Isso tudo pode parecer muito bobo ou simples, mas é aí que somos enganados.

Expulsão de Adão e Eva do Paraíso

Satanás então nos leva a pensar que a matéria é má e estamos limitados a ela, ou seja, aprisionados pelo próprio Deus, que em tese seria mau. Quero deixar claro que essa doutrina é completamente falsa, porém estamos lidando com o pai da mentira, Satanás, que nos confunde dizendo que a igualdade é boa e, como existe desigualdade, Deus então é mau (algo que não ironicamente já escutamos ao menos uma vez em nossas vidas). Vou começar a tratar essa Religião do Demônio como a Gnose que, ao depender da época, pode ser disfarçada de uma ideologia, filosofia ou uma religião propriamente dita.

A Gnose então ensina que no princípio todos éramos iguais, que no início existia apenas a divindade, que era o todo. Essa divindade foi se dividindo até se formar um par de opostos e iguais, a Luz e as Trevas, o Mal e o Bem. Ou seja, todos nós temos uma “centelha” divina em nós, pois viemos do divino, e que por isso somos deuses em potência. Em um dado momento, durante essa divisão, existiu um deus que, diferente dos demais, não gerou um oposto, e que para manter essa distinção ele nos aprisionou na matéria. A Gnose dá o nome desse ente de Demiurgo, e é tratado por essa religião diabólica como Javé, Nosso Deus [1]. Observem aqui a maldade dessa religião, que trata a Deus como o grande vilão que nos aprisionou com suas próprias leis, porque não nos quis ter como iguais. Ideia também que foi aceita por Lutero, que apesar de muito desconhecido pelos protestantes, é bem explícito em sua obra Conversas à Mesa [2].

Tentação do demônio

Com isso, essa religião anseia os homens ao retorno à divindade por meio de uma “evolução” (não por acaso é uma palavra usada bastante pelos ateus) que é essencialmente uma revolução contra Deus. Não obstante, ela nos induz a negar a razão e acreditar em devaneios; me refiro aqui a “experiências sobrenaturais”, nos atingindo emocionalmente e sentimentalmente e por fim nos enganando. Tal fato é um evento amplamente descrito por muitos gnósticos famosos e até muitas figuras históricas [3-5], dando origem a diversas escolas esotéricas e religiões, marcado pela eterna sedução do homem (termo utilizado pelo Prof. Fedeli em suas escritas) e por isso Deus impõe a inimizade entre a mulher e a serpente. Com isso, se dá o eterno motor da história, a luta entre a Igreja de Deus e a Sinagoga de Satanás.

Examinemos, ainda que de forma sucinta, como ocorreu a introdução dessa religião ao longo do tempo. Dentre as diversas doutrinas gnósticas, uma em especial se tornou muito influente para os séculos: a Cabala. Sua origem pode ser datada até mesmo durante o período do Segundo Templo em círculos farisaicos [6]. Temos que, na volta do exílio, alguns judeus foram contaminados com ideias pagãs vindas da Babilônia, marcados pela prática escrupulosa da Lei de Moisés e um estudo mais “aprofundado” da Lei; esses ficaram conhecidos então como os mestres ou doutores da lei.

A partir disso, foram se formando então as tradições e costumes que formaram a Lei oral ou também a Torá Oral, e foi tomando mais espaço do que a própria Lei de Moisés. É importante falar que muitas autoridades judias, séculos depois, irão se referir a essas Leis orais como as “Leis orais de Moisés”, mas sabemos que isso é apenas para sustentar essa falsa doutrina que foi muito combatida por Nosso Senhor Jesus Cristo nos evangelhos [7]. Durante as invasões gregas, temos o surgimento dos Saduceus e Fariseus, em que os Saduceus eram favoráveis a influências estrangeiras, principalmente gregas (mesmo sendo opostas às leis de Moisés), e os Fariseus eram totalmente contra essas influências e tinham por característica a extrema observância da Lei escrita e oral.

É importante destacar que os Fariseus obtiveram maior prestígio entre os doutores da lei, porém tendo menos influência entre os sacerdotes. Como falei anteriormente, os fariseus tinham como principal característica a adoção da “Lei oral de Moisés” que se tornou até superior à lei escrita, e por isso ajudou a disseminar ideias gnósticas em suas tradições, e por isso foram muito combativos a aceitar a Encarnação do Verbo. Essa tradição também será conhecida como “Tradição dos Antigos”.

Cristo entre os fariseus

Em relação a isso, olhe que diabólico. A cabala interpreta o primeiro versículo de Gênesis de uma forma no mínimo curiosa: “No princípio criou Deus os céus e a terra.” (Gn 1,1), que em hebraico esse versículo se traduz como, a depender da interpretação, “Bereshyt Bara Elohym”. Para os cabalistas, “No princípio” é sujeito da frase, ou seja, para eles “No princípio” criou “Deus os céus e a terra” [8]. Em outras palavras, Bereshyt é uma entidade anterior a Elohym, o criador deste Mundo, que emanou da divindade original, na visão cabalista, claro. Em detrimento a isso, São João escreve em seu primeiro versículo do evangelho: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1,1), assim como Nosso Senhor em uma passagem também rebate essa nefasta ideologia: “Disseram-lhe, pois: Quem és tu? No princípio, eu que vos falo.” (Jo 8,24-25), assim como em outras diversas ocasiões [9-11].

Por fim, percebamos aqui a infiltração da Gnose já no período Messiânico de Cristo, e ficará ainda mais influente com a queda do Segundo Templo e a diáspora judia para a Europa com as compilações das primeiras cabalas na Península Ibérica, junto com o contato de crenças herméticas, que posteriormente irão influenciar a corte de Isabel de Aragão com o financiamento das viagens de uma figura que conhecemos muito bem, Cristóvão Colombo.

In Jesu et Maria

Referências

  1. Gnose: religião oculta da história e Escribas e fariseus, Montfort.
  2. Conversas à Mesa, Martinho Lutero.
  3. Thelema, a entidade de Aleister Crowley.
  4. Jibril aparece a Maomé.
  5. Moroni aparece a Joseph Smith.
  6. As Grandes Correntes da mística Judaica.
  7. Mt 15,1-9.
  8. The Cipher of Genesis.
  9. Mt 16,12.
  10. Lc 12,1-2.
  11. Mt 15,7-9.

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